quinta-feira, 21 de julho de 2011

O CORAÇÃO FEMININO





O PERIGO MORA NO LADO ESQUERDO DO PEITO...
Sim, este foi exatamente o título da matéria apresentada como assunto central da Revista Veja (maio, 2011).
É a nova medicina do coração da mulher. Ele é muito diferente do coração masculino, tanto que a cardiologia está tendo de se reinventar para diagnosticá-lo e tratá-lo com sucesso. Parece que as mulheres têm mais uma preocupação no que se refere à saúde cardiovascular. Seu coração é mais vulnerável a infartos do que se supunha e, para protegê-las, a Associação Americana do Coração acaba de divulgar as novas diretrizes (e mais rigorosas) para a prevenção de doenças cardiovasculares entre mulheres. É uma reedição das orientações do ano de 2007, sendo que para os homens continuam as mesmas orientações de 2002, criada inicialmente para ambos os sexos.
No ano de 1959 foi publicado um trabalho na revista científica American Journal of Public Health sobre a saúde cardíaca. Na época, cinco mil homens e mulheres, entre 30 e 60 anos, moradores da cidade de Framingham, estado de Massachusetts, foram submetidos a exames laboratoriais e testes físicos periodicamente. Este estudo identificaria o primeiro fator de risco isolado para os problemas cardíacos: “As doenças do coração estão significativamente associadas ao sexo masculino” (afirmação escrita no artigo assinado por Thomas Dawber, epidemiologista e coordenador de Framingham na época). Na atualidade, cinquenta e dois anos depois, a Associação Americana do Coração, com base em dados coletados recentemente pelas pesquisas em Framingham (hoje com cerca de 15 000 voluntários), propõe uma mudança radical de paradigma, afirmando que a mulher é mais suscetível às doenças do coração do que o homem. É a “feminização das doenças coronarianas”, como expõe a revista. Iniciou-se lenta e silenciosamente a partir da década de 60 com a emancipação feminina. As mulheres passaram a se expor aos mesmos fatores de risco que sempre atormentaram o coração masculino como o estresse, tabagismo, dietas desequilibradas, entre outros.
Para se ter uma idéia desta nova e crescente realidade, a estatística comprova que a proporção de mortes por problemas cardíacos entre homens e mulheres só vêm aumentando. Nos anos 50, para cada dez vítimas fatais de problemas cardíacos do sexo masculino, havia uma do sexo feminino (100 óbitos masculinos: 10 óbitos femininos). Já na década de 90, essa relação era de seis para uma (100 óbitos masculinos: 17 óbitos femininos). Hoje, assustadoramente, esses números triplicaram, e a relação é de duas vítimas fatais do sexo masculino para uma do sexo feminino (100 óbitos masculinos: 50 óbitos femininos), e prevê-se que as proporções não demorem a equivaler-se. “Se não houver uma mudança drástica no modo como os médicos e pacientes encaram a saúde cardíaca feminina, em vinte anos, o número de óbitos entre as mulheres deve ultrapassar o de homens”, diz Raul Dias do Santos, cardiologista do Instituto do Coração (INCOR) e presidente do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Na realidade brasileira, 21 milhões de mulheres estão sob a ameaça de sofrer um infarto. Cerca de 31 000 brasileiras morrem todos os anos desse mal (contra 11 000 vítimas fatais de tumores mamários malignos) e, a má notícia: a probabilidade de uma mulher morrer em consequência de um infarto é 50 % maior do que a de um homem sob as mesmas condições, isto é, com a mesma idade, hábitos idênticos e índices semelhantes de colesterol, triglicérides e pressão arterial. Para os homens, em 90 % dos casos, os sintomas do infarto são mais claros e intensos como dor no peito e nos braços, vômito e sudorese. Em contrapartida, para as mulheres, em 70 % dos casos, os sintomas são de média ou baixa intensidade, podendo ser confundidos com outras doenças como dor nas costas, queimação no estômago e náuseas.
 Então, pode-se dizer que o coração tem sexo? Existem mesmo grandes diferenças anatômicas e funcionais entre o coração da mulher e o do homem, repercutindo na saúde cardiovascular de ambos os sexos. Por exemplo, a Frequência Cardíaca do coração feminino, em situação de repouso e normalidade é cerca de 60-80 bpm, sendo a do coração masculino 55-70 bpm, ou seja, o coração da mulher bate cerca de 10 % mais rápido do que o do homem, tendendo a sofrer um maior desgaste por ser mais acelerado, o que aumenta a suscetibilidade a doenças como infarto, arritmias e angina de peito. Outra situação desvantajosa para elas é o fato das artérias femininas serem 15 % mais estreitas que as artérias masculinas. Como são naturalmente mais estreitas, as artérias femininas estão mais propensas ao entupimento, além de tornarem alguns procedimentos como o cateterismo e a implantação de Stent mais difíceis. Com relação à formação de placas de gordura, nas mulheres as moléculas de gordura tendem a fechar rapidamente as artérias enquanto que nos homens as placas expandem as paredes arteriais para só depois obstruir os vasos. Então, nas mulheres, o mecanismo de formação das placas faz com que a obstrução seja mais grave e aumente muito as chances de infarto. Assim, devido a essas características, o processo de obstrução arterial no sexo feminino é mais veloz e difuso.
Além de tudo o que foi dito, quanto aos fatores de risco para desenvolver doença arteriocoronariana comuns a homens e mulheres, também aqui o sexo feminino é o mais prejudicado. O diabetes, a hipertensão, a obesidade, o tabagismo e a depressão são mais nocivos ao organismo feminino do que ao masculino. Além do que ainda existem as ameaças às quais somente as mulheres estão sujeitas. Por exemplo, o uso da pílula anticoncepcional associado ao hábito de fumar aumenta a síntese de fibrinogênio no fígado, substância associada à formação de coágulos que podem causar entupimento arterial. Outro perigo é a chegada da menopausa. Ocorre uma redução drástica na síntese do estrógeno pelos ovários. Enquanto este hormônio é produzido em grandes quantidades, as mulheres são duas vezes mais suscetíveis a ter um problema cardíaco quando comparadas aos homens.  Depois que as taxas do estrógeno caem, o risco cardíaco das mulheres quadruplica, já que o hormônio feminino tem ação vasodilatadora e é lubrificante natural, o que evita o acúmulo de LDL (colesterol ruim) nas paredes arteriais. Também mulheres com ovários policísticos estão mais propensas ao infarto, já que a doença provoca uma queda na produção de estrogênio (hormônio protetor do coração) e aumento na de testosterona (hormônio que reduz as taxas do colesterol bom/ HDL).
A Revista Veja também publicou, nesta edição, as novas diretrizes divulgadas pela Associação Americana do Coração no que se refere à prevenção de doenças cardiovasculares entre mulheres, e ainda um teste baseado na idade e nos fatores de risco que avalia a probabilidade de uma pessoa sofrer de doenças do coração nos próximos dez anos (Teste de Framingham e Raul Dias dos Santos, cardiologista do Instituto do Coração e presidente do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia).
E então mulheres... o que vocês estão esperando para começarem já e o mais rápido possível seus exercícios?
Cuide da saúde do seu coração e venha exercitar-se na FISIOCLIN – Centro de Atendimento e Treinamento Personalizado!!!

Profª. Esp. CHRISTIANE GOMES