quarta-feira, 12 de outubro de 2011

VOCÊ SABE O QUE SÃO DOENÇAS HIPOCINÉTICAS?


Por: Christiane Gomes de Carvalho (Personal Trainer)


Desde os primórdios dos tempos, o homem sempre se movimentou para que pudesse sobreviver. Seja para buscar seu alimento caçando, pescando, plantando e colhendo ou para se defender dos seus inimigos em potencial. Ou seja, o homem é uma máquina programada para o movimento e, através dele, consegue realizar todas as suas tarefas cotidianas.
Com a modernização e as inovações tecnológicas promovidas pelos avanços nas telecomunicações, utensílios domésticos e meios de transportes, muitas mudanças relacionadas ao estilo de vida da população aconteceram. Vê-se, claramente, que as pessoas passaram a se movimentar muito menos e hoje, tudo se resolve em alguns segundos mediante o aperto de um botão. É o controle remoto, o elevador às escadas, o percurso do trabalho de moto ou carro, os serviços de “disk entregas”, a televisão, o uso abusivo de computadores e videogames, entre outros tantos atrativos e facilidades para ganharmos tempo, mas promover uma redução das demandas físicas exercidas diariamente e cultuar um hábito de vida inativo, resultando num elevado quadro de sedentarismo.
Embora o corpo humano tenha sido organizado para o movimento e para as atividades que exijam esforços, o exercício físico não faz parte do estilo de vida da maioria das pessoas. Realidade comprovada por cerca dos 70 % dos brasileiros que não se exercitam regularmente, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para se ter uma idéia de que o problema é mundial, 59 % da população americana fazia algum tipo de atividade física na década de 80. Hoje, esse número não passa de 30 %.
Assim, uma variedade de doenças conhecidas como doenças hipocinéticas representam uma expressão típica para esse estilo de vida pobre em movimento e com comportamento passivo durante o tempo livre de lazer. A alimentação errada, o vício prejudicial à saúde como o fumo, o consumo alcoólico e o estresse psíquico diário de um trabalho cada vez mais intelectual, reforçam negativamente esta situação.
As doenças hipocinéticas são classificadas como doenças associadas à falta de movimento, isto é, causadas ou que podem ser agravadas pela ausência ou insuficiência de exercícios e atividades físicas em doses mínimas suficientes e adequadas para manter um organismo saudável. Não podemos esperar que o nosso corpo permaneça em função otimizada e saudável por uma vida toda, se abusarmos ou não tomarmos certas precauções. Então, indivíduos que não praticam exercícios físicos regularmente, correm grande risco de desenvolver essas doenças hipocinéticas como as doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, hiperlipidemia (elevação dos níveis sanguíneos de colesterol total e triglicérides), obesidade, intolerância à glicose ou diabetes tipo II, neoplasias (alguns tipos), alterações neurológicas, doenças reumáticas, desvios posturais, sarcopenia, osteoporose entre outras.
Atualmente, o exercício físico é aceito como agente preventivo e terapêutico de diversas enfermidades. A atividade física tem sido apontada como principal medida não farmacológica, de aspecto benéfico e protetor, no tratamento de doenças cardiovasculares e crônicas não transmissíveis. E vale a pena investir nos exercícios físicos, pois é mais barato e eficiente manter a boa saúde do que recuperá-la depois de perdida, já que os dados estatísticos mostram essa dura realidade: as doenças crônicas degenerativas como o diabetes, a hipertensão arterial e o câncer matam 35 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). E entre os males relacionados ao sedentarismo, no Brasil, as duas maiores causas de morte por motivos de saúde são as doenças cardiovasculares e o câncer, de acordo com o Ministério da Saúde. Portanto, adotar um estilo de vida não sedentário, calçado na prática regular de atividade física, encerra a possibilidade de desenvolver a maior parte dessas doenças crônicas degenerativas que se inserem no rol das doenças hipocinéticas, além de servir como elemento promotor de mudanças com relação a fatores de risco para inúmeras outras doenças.
Já que a causa para o surgimento das doenças hipocinéticas é alimentada pela falta de atividade física, o antídoto adequado é a realização de mais movimento, seja na vida diária, no trabalho, no tempo livre ou nas férias. O importante é escolher atividades que sejam prazerosas e que não representem um estresse adicional à nossa vida profissional e cotidiana tão sobrecarregada.
Por fim, a melhor defesa contra o desenvolvimento das doenças hipocinéticas é ativar os músculos, ossos, articulações, coração, pulmões e demais órgãos internos, buscando um programa sistemático de exercícios com orientação de um profissional formado em Educação Física.

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