Por Professor Dr. Rogério Melloni
Solo pode ser rapidamente definido como a camada superficial da crosta terrestre, cujo processo de formação é resultado de diferentes fatores: tipo de rocha (material de origem), posição na paisagem (relevo), clima (principalmente efeito de temperatura e precipitação), ação de organismos e tempo. Este processo leva muitos anos e a idade de um solo pode ser estimada pela sua diferenciação (camadas ou horizontes, composição química e mineralógica). Em climas temperados, os solos podem apresentar 15.000 anos, mas em condições tropicais, principalmente devido à ação da água e calor, os solos podem ter centenas de milhares ou, até mesmo, alguns milhões de anos.
Apesar de muito antigos, a ação do homem pode destruí-lo rapidamente. Como sabemos, a utilização do solo tem sido bastante diversificada, incluindo desde base para sustentação de diferentes atividades (estradas, edificações, etc.), até substrato para produção de alimentos, hábitat de organismos, recarga de aqüíferos, entre outros. No entanto, conforme já comentado, os solos originam-se de diferentes materiais e ocorrem em diferentes condições, o que lhes imprime características peculiares e, consequentemente, qualidades diferentes.
Atualmente, muitos pesquisadores da área de Ciência do Solo estão estudando o efeito de diferentes estratégias e manejo na saúde do solo. Antigamente, um solo para ser considerado saudável deveria apresentar uma boa quantidade e disponibilidade de nutrientes, além de bom estado físico. No entanto, o conceito de saúde do solo mudou.
A qualidade ou saúde do solo atualmente pode ser definida como sua capacidade de funcionar dentro de um ecossistema, sustentando sua produtividade biológica, mantendo a qualidade ambiental e promovendo a saúde vegetal e animal. Portanto, o solo é considerado saudável quando as plantas e animais que dele dependem também o são!
Muitos indicadores têm sido utilizados para sua avaliação. No entanto, diferentemente do que ocorre com a água ou ar, que já possui padrões de qualidade estabelecidos, não há indicação exata e segura de quais indicadores possam ser utilizados para esta avaliação e nem as faixas definidas para o solo.
No entanto, para avaliar a sua qualidade, pode-se pensar da mesma forma que a saúde do homem: inicialmente, quando vamos ao médico, este avalia a nossa saúde por indicadores simples, baratos e rápidos (normalmente, temperatura e pressão), e somente depois recomenda exames mais detalhados e caros (hemogramas, exames específicos e sofisticados, estudo de imagens, etc.). Para o solo, inicialmente, podemos avaliar a sua saúde pela fertilidade (análise de nutrientes), mas esta não dispensa outras análises mais sofisticadas como indicadores físicos (formação de agregados ou torrões, avaliação de sua porosidade, etc), químicos (análise específica de elementos tóxicos ou não) e biológicas (comunidade de macro ou microrganismos, sua densidade e diversidade). Ou seja, medir a saúde do solo (e também do homem) exige trabalho e tempo (e dinheiro)...
A degradação da qualidade do solo ou perda de sua saúde pelo cultivo pode ser visualmente percebida como por processos erosivos, redução de matéria orgânica, compactação da camada superficial e formação de enxurrada, perda de nutrientes, redução de populações de macro (minhocas, formigas, cupins, etc.) e microrganismos, entre outros. A conservação da saúde do solo é particularmente importante em ecossistemas marginais, frágeis e ecologicamente sensíveis, pois a degradação pode ser irreversível, principalmente quando a ação do homem é intensa, como a ocupação em topos de morros ou em áreas de preservação permanente próximas a rios.
O solo pode afetar a saúde do homem de três modos: diretamente pelo contato com solo contaminado por produtos tóxicos ou radioativos; indiretamente pela contaminação do ar e água, e pela ingestão de alimentos contaminados por metais pesados, agrotóxicos, etc. Eis, novamente, a relação direta entre saúde do solo e a saúde do homem! Um solo saudável, com bom funcionamento de seus aspectos físicos, químicos e biológicos, certamente reflete em:
· boa qualidade do ar: não há contaminação do ar por poeira e resíduos tóxicos;
· boa qualidade da água: não há contaminação da água subterrânea ou superficial por substâncias tóxicas;
· boa qualidade as plantas: e, diretamente, saúde do animal que dela se alimenta.
O grande desafio dos estudos sobre sustentabilidade está associado ao desenvolvimento de metodologias para avaliação da saúde de um solo e seus impactos na vida humana. Neste sentido, o uso de microrganismos naturalmente presentes no solo, normalmente benéficos ao desenvolvimento das plantas, tem sido indicado, em virtude, principalmente, de sua extrema sensibilidade às ações humanas. Tal ciência é a Microbiologia do solo, importante ramo da Agronomia que se destaca em virtude do papel da biota do solo na manutenção da saúde do solo. Este mundo vivo certamente merece outro destaque e novo enfoque em outra oportunidade...
Solo coberto totalmente por grande diversidade de plantas, protegendo-o de processos erosivos (solo saudável) |




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