A bem documentada perda de massa óssea e muscular com a idade não só faz as atividades da vida diária, tais como levantar de uma cadeira e abrir uma janela mais difíceis, mas aumentam o risco de queda, fraturas do quadril e incapacidades funcionais. Os ossos tornam-se frágeis com a idade devido a um decréscimo no conteúdo mineral ósseo, causando um aumento na porosidade do osso conhecida por osteoporose. O conteúdo mineral do osso e a microarquitetura do mesmo pode se deteriorar a uma extensão tal que até as mesmas atividades da vida diária podem causar uma fratura óssea particularmente do quadril, coluna ou punho, gerando consequências como lesões de nervos, deformidades e dor acentuada. Sendo um transtorno metabólico caracterizado pela lenta e progressiva perda de osso com a idade, a osteoporose tem sido ligada à inatividade física e a fatores genéticos, hormonais, nutricionais e mecânicos. Essas condições que resultam em ossos com menos densidade e força são sérias preocupações em pessoas idosas, principalmente em mulheres, mais ainda, em mulheres após a menopausa. A osteoporose vem sendo cada vez mais comum devido a um aumento na expectativa de vida da população, pois é uma patologia da terceira idade. Estima-se que 1 (um) a cada dez indivíduos no mundo (10% da população mundial) tem mais de 60 anos de idade. Em 2030 o Brasil será a sexta população mundial em número absoluto de idosos. E, exatamente por este aumento na longevidade da população brasileira, faz-se necessário preocuparmos com a prevenção deste mal que é a osteoporose. Além de tudo o que foi dito, o avanço da idade também é associado a uma redução da massa muscular denominada sarcopenia. A massa muscular diminuída resulta em uma perda de força muscular. A hipotrofia muscular observada com a idade parece resultar da inatividade física e uma gradual e seletiva deterioração das fibras musculares. A tomografia computadorizada tem revelado que, após os 30 anos, existe um decréscimo nas áreas de secção trasversal dos músculos, com um decréscimo na densidade muscular e um aumento na gordura intramuscular, sendo que esses efeitos são mais pronunciados nas mulheres. A redução no tamanho ou no número de fibras musculares também leva a uma diminuição na capacidade de um músculo gerar potência (isto é, exercer força rapidamente), e isto pode afetar adversamente a capacidade de adultos mais velhos em desempenhar atividades como subir escadas e caminhar, já que estas e outras atividades do dia a dia exigem que os músculos produzam força rapidamente, ou seja, desenvolvam potência muscular.
Neste contexto, uma pesquisa publicada no Journal of Bone and Mineral Research (2004) sobre o efeito do treinamento com vibração de corpo inteiro na densidade óssea do quadril, na força muscular e no controle postural em mulheres pós menopausa, durante seis meses, apontou que exercícios realizados sobre vibração podem ser úteis na prevenção da osteoporose quando comparados com exercícios tradicionais de resistência (sem vibração), além de melhorar a força muscular isométrica e dinâmica.
RESUMO DA PESQUISA:
O objetivo do estudo foi avaliar os efeitos musculoesqueléticos da aplicação de alta frequência por meio de vibração de corpo inteiro em mulheres pós menopausa durante 24 semanas, sabendo-se que mulheres nesta fase da vida correm mais riscos de desenvolver a osteoporose.
Foram escolhidas setenta (70) voluntárias entre 58 e 74 anos de idade, sadias, sem casos de doença ou internação, e que não faziam uso de medicamentos que afetassem o metabolismo ósseo ou a força muscular. As voluntárias foram divididas em três grupos (G1, G2, G3). O G1 (25 mulheres) treinou com vibração de corpo inteiro (VCI), três (3) vezes por semana, com duração máxima de 30 minutos, incluindo aquecimento e relaxamento, com pelo menos um dia de descanso entre as sessões, perfazendo um total de 72 sessões durante seis meses. Realizou-se exercícios dinâmicos e estáticos de extensão dos joelhos (músculos anteriores da coxa) como agachamentos, agachamentos profundos, agachamentos com pernas afastadas, agachamento unilateral e afundos, em plataforma vibratória com frequência entre 35-40 Hz e amplitudes de onda entre 1,7-2,5 mm. O G2 (22 mulheres) realizou um programa de treino que incluía aquecimento com exercícios cardiovasculares como step, corrida ou bicicleta por 20 minutos de duração e, em seguida, exercícios de força de resistência para os músculos extensores dos joelhos em máquina específica de extensão e numa prensa, conforme preconiza o American College Sports of Medicine (ACSM) para indivíduos com mais de 60 anos de idade. O G3 ou grupo controle (23 mulheres) não realizou nenhum programa de treinamento diferente do que apenas manter o nível de atividade física que já faziam anteriormente, durante os seis meses de estudo. A avaliação da densidade mineral óssea total (DMO) foi realizada no início do estudo e ao final dos seis meses por meio de um aparelho de densitometria óssea (DXA) posicionado sobre o quadril direito. A massa corporal magra, a massa gorda, e a porcentagem de gordura corpórea foram obtidas por um exame DXA do corpo inteiro. Da mesma forma, tanto no início quanto no fim de seis meses de pesquisa, a taxa de formação e reabsorção óssea foi medida por meio de marcadores sanguíneos. Amostras de sangue foram colhidas e armazenadas (-70ºC) a fim de determinar os níveis séricos de osteocalcina (marcador de formação óssea) e C-teleopeptídeos (CTX), marcador de reabsorção do osso. A avaliação da força muscular dos músculos extensores do joelho foi feita por um dinamômetro isocinético por meio de testes isométricos e dinâmicos. Também se avaliou o controle postural antes e após 24 semanas de estudo usando uma plataforma de força. O balanço postural das voluntárias do grupo VCI e grupo controle (CON) foi avaliado sob quatro condições de estabilidade (estática com visão; estática com visão tampada; estática após perturbação por meio de movimentos do braço: abertura lateral horizontal e anteflexão horizontal), não testando o grupo G2 que treinou resistência muscular (RES) sem vibração.
Os resultados obtidos mostram que a DMO total do quadril no grupo que treinou com vibração aumentou ao longo do tempo 0,93% enquanto que nas mulheres que participaram do treino de resistência ou do grupo controle não foram observadas alterações significativas na DMO do quadril (0,51% e 0,62% respectivamente). Comparado com o grupo RES, a intervenção vibratória resultou num benefício líquido de 1,51% na DMO total do quadril enquanto que em relação ao grupo CON, benefício líquido semelhante foi atingido (1,53%). Já a DMO corporal total e da coluna lombar (L1-L4) não se alteraram ao longo do tempo de treino em nenhum dos três grupos. Não foi observada nenhuma diferença estatisticamente significativa entre os grupos no que se refere aos marcadores da remodelação óssea osteocalcina e CTX. Já a força muscular isométrica dos músculos extensores do joelho aumentou em 15% no grupo VCI e em 16% no grupo RES. No grupo controle foi observado um decréscimo não significativo de 2%. Comparado com o grupo CON, a intervenção vibratória de seis meses resultou em um benefício líquido de 17,6% na força isométrica do quadríceps e um benefício semelhante foi observado em relação ao grupo RES (18,9%). A força dinâmica aumentou 16,5% no grupo VCI e 10,6% no grupo RES. No grupo CON não foi observada nenhuma alteração significativa (2,2%). Ambos os grupos VCI e RES mostraram benefícios líquidos comparados com o grupo CON, sendo de 14,2% em relação ao VCI e 8,4% em relação ao RES. O ganho de força nestes últimos dois grupos não foi associado a uma alteração significativa na massa corporal magra dos indivíduos testados. No entanto, em ambos os grupos, a massa gorda total diminuiu significativamente durante o período de intervenção (-2,3% no grupo VCI e -3,1% no RES) enquanto que no grupo controle não se constatou nenhuma alteração significativa na massa gorda (+0,5%). Portanto, em mulheres saudáveis pós menopausa, um programa de vibração de corpo inteiro com a duração de 24 semanas é realizável e capaz de modificar a força, o equilíbrio, e a densidade óssea do quadril, os quais são bem reconhecidos como fatores de risco de fratura do quadril.
Em suma, os resultados sugerem que o treinamento vibratório de corpo inteiro pode ser útil na prevenção da osteoporose e que a plataforma vibratória pode ser uma forma praticável e eficaz de alterar os fatores de risco responsáveis por quedas e fraturas em mulheres idosas.
OSTEOPOROSE EM NÚMEROS
Fonte: Jornal Conversa Pessoal (Secretaria de Recursos Humanos do Senado federal) ano VIII, nº 87, Fev. 2008. |
Um grande abraço,
Prof.ª Esp. Christiane

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